Está um dia frio. Frio está também o meu estado de espírito. Pensava compreender os seres humanos. Engano meu! Nem n incarnações levar-me-ão a esse estado de compreensão.
Mas o que o meu estado de espírito tem a ver com a compreensão dos seres humanos? Mais uma vez me entreguei e saí a perder. Eu que me prezo de ser um bom conselheiro não fui capaz de descortinar a mágoa; não fui capaz de ler nas entrelinhas e poder ver que a relação estava condenada a partir da altura em que a traíção se adentrou - uma amiga ensinou-me que a traíção pode ser classificada de deslealdade ou infidelidade. Pois bem, a infidelidade a gente pode engolir, mas a deslealdade?
Isso é que provocou esse meu estado do espírito. Aínda sinto as punhaladas e engano-me pensando que a pessoa aínda há-de voltar. Mas será que é isso que quero depois de tantos abusos. Que culpa tenho eu se a pessoa acha que por ter sido encontrada a "pecar" deve me odiar? Essa é que é a questão! O meu "pecado" foi eu ter descoberto das suas infidelidades. Mas a dor vai passar, pois não?

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