segunda-feira, 30 de julho de 2007

Fiquei com o tesão

O frio da noite já tinha ficado para lá. Nossos corpos nus, quentes e suados já não precisavam do duvet - esse era mais um empecilho que com as roupas há muito fora descartado. As posições bem como as velocidades das penetrações variavam. Estávamos naquela fase em que se entra na penumbra sexual; onde se alonga o prazer em detrimento do orgasmo e já vínhamos nessa há mais de uma hora.


Tínhamos começado com um toque. De certeza recordam-se do refrão daquela canção duma cantora norte-americana cujo nome já não me recordo, onde ela diz "one touch leads to another, one kiss and we're on our way..." Pois, foi assim mesmo. Fomos beijocando enquanto nossas mãos mutuamente exploravam nossos corpos; depois juntávamos as línguas às mãos e tudo que era pele não escapava a doce tortura.


Fazíamos as coisas sem demora e trocávamos aqueles olhares que somente dois amantes trocam: olhares conspiratórios. Tínhamos os chamados "bed-room eyes". Sabem de que estou a falar, pois não? Quando as pupilas dilatam de tanto desejo.


Acho que eu estava a fazer o helicóptero quando o meu celular tocou. Eram já por aí uma e meia da madrugada. Quis me concentrar no sexo e no mais puro tesão que me consomia a pele, mas o meu actual namoro já mostrava sinais de frustração e me perguntou quem era. Eu olhei para o écran e logo pûs o cel no silêncio e quis continuar. Isso valeu-me uma reprimenda e um "atende!".


Era um antigo namoro meu que me persegue faz dois anos. Acho que a razão da insistência é a lembrança do sexo louco que fazíamos em tudo o que é terra. Mas já não sinto nada e por isso mesmo evito o tal namoro como praga. Mas fui obrigado a atender, e frustrado perguntei o que queria àquela hora. Disse-me que somente queria ouvir minha voz. "Agora já ouviste. Ciao!" Mas o meu actual namoro já nem estava aí. Levantou-se e nem tomou o banho pós-coito, pois vestiu-se em seguida ás pressas. E eu fiquei ai com o meu tesão. Que frustração.

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