A música estava bem alta e as psicadélicas aumentavam a intoxicação causada pelo álcool. Não sei porquê, mas os movimentos sugestivos dos pares na pista punham o meu sentido sexual em atenção. De repente, uma voz sussurou ao meu ouvido esquerdo: “Sinto uma forte vontade de fazer sexo contigo. Siga-me!”Fiquei ali a procurar ver quem era ao mesmo tempo que meu cérebro digeria o sugestivo convite. Uma parte (café) já entorpecida pelo álcool e movimentos sugestivos me diza para seguir a pessoa desconhecida, e a outra (divã) me dizia para dar uma boa bofetada à pessoa desconhecida. O tempo parou!
Mais tarde em casa, a minha cara metade me perguntou: “Onde estavas? Procurei por ti em todo o lado, mais não te vi?”Como é que eu havia de contar que sem pensar fui atrás da pessoa desconhecida e no banco traseiro de um carro (já não me lembro se o meu ou o da pessoa desconhecida – de manhã, teria que verificar se não ficou nenhuma camisinha) nos entregamos, excitados pelo cheiro dos nossos sexos? Como explicar que enquanto a minha cara metade ia ao lavabos o meu tesão foi despertado, e ao primeiro convite desconhecido fui-me e vim-me? O sexo valeu a pena pelo risco corrido – foi forte a sensação de saber que estávamos a roubar e com o leú visível para quem passasse pelo carro.

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